
Hipersensibilidade
Dentinária (hiperestesia)
Por
que às vezes ficamos com os dentes
sensíveis quando tomamos algo quente ou gelado?
| 1.
O dente é composto de três camadas:
esmalte (externa), dentina (intermediária)
e polpa (interna). Alguns fatores, como retração
da gengiva, bruxismo ou escovação
inadequada, podem desgastar o esmalte e o cemento
- a cobertura da raiz - e, assim, expor a dentina. |
2.
A dentina é um tecido cheio de canais minúsculos.
Quando fica exposta, torna-se vulnerável
a estímulos produzidos por uma bebida quente
ou gelada, que penetram nesses dutos. |
3.
Os dutos conduzem à polpa, onde está
o nervo. É ele que percebe o calor ou frio
e comunica ao cérebro. Mas esse aviso sem
importância é sempre doloroso. Os dentes
mais afetados são os caninos e os pré-molares
inferiores.
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FIGURAS
1 E 2 - ESTRUTURAS QUE FORMAM O DENTE.
No destaque, imagem da superfície da dentina
ampliada mostrando seu aspecto tubular (1).
Lesão cervical não cariosa presente
em primeiro pré- molar superior (2). |
A
hipersensibilidade dentinária é uma dor
que ocorre, geralmente na região do colo do dente,
próxima à gengiva, provocada pela escovação,
ingestão de alimentos frios, doces, frutas cítricas
etc. A dor cessa assim que o estímulo é
removido, é de curta duração, tendendo
a desaparecer com a mesma rapidez com que se inicia.
A
hipersensibilidade nunca começa espontaneamente
como acontece comumente com outras causas de dor nos dentes.
Entretanto, a distinção entre hipersensibilidade
e dor de dente deve ser feita pelo dentista.
A
hipersensibilidade significa que a polpa dental (o “nervo”
do dente) está doente?
Não,
já que a dor é decorrente de mudanças
de pressão dentro do dente, provocadas pela variação
da temperatura ou por outros estímulos na superfície.
Não tem relação com alterações
patológicas da polpa dental.
Então,
por que o dente dói?
Em
condições normais, a coroa do dente (a parte
exposta na cavidade bucal) é recoberta pelo esmalte,
estrutura resistente às pressões e ao desgaste
decorrentes da mastigação (Figura 1). Essa
estrutura é praticamente impermeável e definitivamente
insensível aos estímulos. As raízes
são recobertas por outro tipo de estrutura, denominada
cemento. Com o passar do tempo, esmalte e cemento sofrem
degradações (Figura 2) que expõem
a dentina, estrutura também dura e resistente e
que abriga a polpa dental. Dessas estruturas, somente
a dentina apresenta sensibilidade. A dentina é
bastante permeável, constituída de milhões
de canais microscópicos (Figura 1) que, em teoria,
ligam a polpa com meio externo quando o esmalte ou o cemento
são desgastados. Sem o cemento e o esmalte, a dentina
fica sem proteção e sujeita às agressões
do meio externo.
Qual a relação
da hipersensibilidade dentinária com as lesões
cervicais não cariosas?
A hipersensibilidade dentinária
ocorre mais comumente na região cervical do dente
(colo), onde o esmalte e o cemento são degradados
com maior freqüência, expondo a dentina. Quando
essa exposição dentinária não
é provocada por processo de cárie dental,
a área exposta é considerada uma lesão
cervical não cariosa (Figura 2). A prevalência
dessas lesões é alta, e pode-se antecipar
que, em algum momento da vida, qualquer indivíduo
poderá ter, pelo menos, um dente com lesão
cervical não cariosa.
Quais
as causas mais comuns de lesões cervicais não
cariosas?
Essas
lesões são resultado de uma interação
de fatores, em que os mais importantes são a oclusão
(contato entre os dentes antagonistas), a alimentação
rica em ácidos (frutas cítricas e refrigerantes
em excesso, por exemplo) e a escovação dental.
A oclusão promove a fadiga das estruturas dentárias
na região do colo, as substâncias ácidas
causam a dissolução do esmalte e a escovação
remove mecanicamente o esmalte enfraquecido ou dissolvido.
Fatores sistêmicos também podem contribuir
para a degradação das estruturas dentárias,
tais como refluxo gastroesofágico, bulimia, hipertireoidismo
e qualquer outra doença que reduza o fluxo salivar.
Como
tratar a hipersensibilidade dentinária?
O
dentista deve empregar os recursos dessensibilizadores
(o que pode incluir a restauração das lesões
e ajustes oclusais) para reduzir o desconforto imediato
da dor e, complementarmente, eliminar as causas da exposição
dentinária para impedir a recorrência da
hiperestesia.
Fonte:
Isabel Cristina Froner, professora da faculdade de odontologia
da USP-Ribeirão Preto/ Infográfico: Thiago
Lyra// Por Ana Gonzaga/ Revista Saúde; Revista
da APCD.